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Desafios econômicos e sociais da China moderna

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Após décadas de crescimento ininterrupto, a segunda maior economia do mundo atravessa um período delicado.

A China enfrenta uma série de desafios econômicos e sociais que ameaçam sua posição como uma das principais potências econômicas mundiais. Uma das contendas é a desaceleração do crescimento econômico. 

A taxa de crescimento da economia chinesa tem diminuído nos últimos anos, passando de um máximo histórico de 14,2% em 2007 para 6,1% em 2019. Essa desaceleração tem sido causada por uma combinação de fatores, incluindo a queda da demanda global, a incerteza econômica mundial e as políticas governamentais internas destinadas a reduzir o endividamento e as bolhas imobiliárias. 

Outro desafio econômico é a inflação, que tem aumentado nos últimos anos devido ao aumento dos preços dos alimentos e das matérias-primas, bem como à escalada dos custos laborais. Isso tem resultado em pressões crescentes sobre os preços dos bens e serviços na China e tem causado preocupações com o impacto da inflação sobre o poder de compra dos consumidores e a estabilidade econômica do país. 

A cidade de Xangai é um símbolo da modernidade e pujança econômica chinesa. Fonte: PIXNIO.

A China enfrenta também, desafios com sua balança comercial e sua dependência de investimentos estrangeiros. O país tem sido acusado de práticas comerciais desleais, como a proteção de suas indústrias nacionais e a manipulação de sua moeda, o que tem gerado tensões com parceiros comerciais. 

Por fim, o país também está enfrentando aumento no nível de endividamento, principalmente dos governos locais e das empresas estatais.

Para o professor de História econômica da Faculdade de ciências humanas e sociais da UNESP, Pedro Geraldo Saadi Tosi, a China reúne as características de gestão necessárias para o enfrentamento dos problemas e contradições do tempo presente, segundo ele “Na China o Estado desempenha um papel importante mais destacado do que em qualquer outro lugar nos últimos tempos tendo em vista a virada liberalizante do ocidente.

Já é de longe a economia com maior vitalidade dos últimos tempos em termos de níveis de crescimento.” sobre os esforços do partido comunista chinês ele destaca as grandes obras de infraestrutura empreendidas: “Em grande medida a construção civil e o urbanismo desempenham um papel importante nos esforços do partido comunista provar o seu valor à população em geral. Um exemplo disso entre outros é a construção da cidade de Chong Gin próximo à hidrelétrica de sete gargantas no noroeste do território chinês.

Muito distante de Shanghai, Pequim e Wuhan, mas desempenhando um papel estratégico significativo. No plano externo por estar no caminho da antiga rota da seda e próxima a potências nucleares como Índia, Paquistão e Irã.”

Breve histórico

Deng Xiaoping, líder chinês de 1978 a 1992, foi um arquiteto da transformação econômica da China moderna. Ele liderou a implementação de políticas econômicas que mudaram radicalmente a economia chinesa e colocaram o país no caminho de se tornar uma das maiores potências do mundo. 

Uma das principais políticas econômicas de Deng Xiaoping foi a “Reforma e Abertura”, que visava liberalizar a economia chinesa e incentivar a iniciativa privada. Ele promoveu a privatização de empresas estatais, o desenvolvimento de pequenas e médias empresas e o aumento da competição no mercado. Deng também permitiu a entrada de investimento estrangeiro direto e a criação de zonas econômicas especiais para atrair capital.

Outra política importante foi o “Sistema de responsabilidade de gestão”, que permitiu que as empresas estatais se tornassem mais autônomas e tivessem mais incentivo para buscar lucro. Isso ajudou a melhorar a eficiência econômica e aumentar a produção. 

Foram implementadas políticas para melhorar a agricultura chinesa, incluindo a desresponsabilização dos camponeses, o que permitiu que eles cultivassem suas próprias parcelas de terra e vendessem o excedente para o mercado, o que ajudou a aumentar a produção agrícola e a melhorar a renda dos camponeses. 

O governo promoveu também, a educação e a formação de mão-de-obra para acompanhar a transformação econômica e criar um ambiente sustentável. 

A Era Xi Jinpimg

Desde que assumiu a presidência da China em 2013, Xi Jinping tem liderado uma série de reformas econômicas ambiciosas. Uma das principais iniciativas de Xi tem sido o plano de “Made in China 2025”, que visa modernizar a indústria chinesa e torná-la mais competitiva globalmente, especialmente nas áreas de tecnologia de ponta, como robótica e inteligência artificial. O plano também tem o objetivo de aumentar a participação das empresas chinesas em setores chave, como aeronáutica, biotecnologia e eletrônica de consumo. 

Outra iniciativa importante tem sido a política “Belt and Road”, que visa construir infraestrutura em países ao longo da rota da Seda e do Mar da China Meridional, a fim de estabelecer novos mercados para as exportações chinesas e aumentar a presença global da China. 

Além disso, o presidente tem promovido uma política de “crescimento moderado” que visa estabilizar o crescimento econômico, reduzir o endividamento e controlar as bolhas imobiliárias. Isso tem resultado em uma desaceleração do crescimento econômico, mas também tem contribuído para a estabilidade financeira do país. 

Na área interna, Xi Jinping tem posto em prática uma série de reformas para aumentar a eficiência econômica, incluindo a liberalização dos mercados de ações e de câmbio, a privatização de empresas estatais e o aumento da competição no mercado. 

Apesar dessas iniciativas, a gestão econômica do atual mandatário também tem sido criticada. Alguns argumentam que as políticas de “Made in China 2025” e “Belt and Road” são protecionistas e prejudicam as economias dos países parceiros. Outros denunciam a falta de transparência no setor financeiro e a falta de reformas estruturais significativas. 

Um inimigo silencioso 

A China enfrentou um desafio sem precedentes no início de 2020, quando o coronavírus (COVID-19) surgiu na cidade de Wuhan e se espalhou rapidamente pelo país. O governo chinês, rapidamente implementou uma série de medidas para conter a propagação do vírus. 

Uma das principais medidas foi o bloqueio da cidade de Wuhan e de outras áreas afetadas, impedindo a entrada e saída de pessoas. O governo também construiu hospitais temporários para tratar os pacientes com COVID-19 e estabeleceu medidas de distanciamento social.

Iniciou-se  uma campanha de testagem em massa para identificar os casos e rastrear os contatos, uma ampla campanha de informação pública para educar a população sobre como evitar a infecção foi difundida e implementada. O país também se preparou para possíveis surtos futuros, reforçando a capacidade de rastreamento e testagem, e aumentando a produção de equipamentos de proteção individual e insumos médicos.

Outro fator importante na resposta da China à pandemia foi a cooperação com outros países e a Organização Mundial da Saúde (OMS). O governo chinês compartilhou dados e informações sobre o vírus, e enviou equipes médicas e equipamentos para ajudar os países afetados.

A complexa Taiwan

China e Taiwan têm uma relação complexa e tensa. Taiwan, oficialmente conhecida como a República da China, é uma ilha no leste da Ásia governada de forma independente. A China continental, oficialmente conhecida como a República Popular da China, é governada pelo Partido Comunista Chinês (PCC) e reconhecida como a única China legítima pela maioria das nações do mundo. Desde o final da Segunda Guerra Mundial e a vitória do Partido Comunista na guerra civil chinesa em 1949, a ilha tem sido governada como uma entidade autônoma.. A China tem afirmado sua soberania sobre Taiwan e busca a reunificação pacífica. Taiwan, no entanto, tem resistido a essas tentativas, e mantém relações diplomáticas limitadas com algumas nações. 

A relação observa uma escalada de tensão, com a China aumentando a pressão sobre Taiwan e seus aliados para evitar qualquer reconhecimento internacional de independência. A China também tem ameaçado usar a força militar para reivindicar Taiwan, caso seja necessário. A recente visita de estado da deputada americana Nancy Pelosi, na ocasião presidente da câmara dos deputados dos Estados Unidos, provocou uma série de desdobramentos na região, exercícios militares foram feitos e o tom do governo chines subiu de nível.

Embora tenham muitas diferenças políticas e culturais, é importante pontuar que ambas compartilham uma economia interdependente. A China é o maior parceiro comercial de Taiwan e muitas empresas taiwanesas têm investimentos significativos na China continental. 

O que o futuro reserva à China?

Ainda que os desafios e contradições se apresentem em grande escala, e as bases econômicas chinesas apontam sinais de relativa fragilidade, é impossível, segundo o autor do livro China: Socialismo no século XXI, Elias Jabbour, que a China venha a “quebrar” ou ter sua economia desmantelada, segundo ele “ A dívida da china não é em dólar, logo não há um risco de solvência externa, há uma reserva de três trilhões de dólares, um país desse não quebra de jeito nenhum”. 

“A China deve em moeda que ela mesmo emite, para honrar seus compromissos que evidentemente passam por criar demanda efetiva para uma economia que passa por dificuldades,  é natural que a dívida pública aumente” ele termina o raciocínio criticando o modelo de análise ocidental e liberal: “ Aqui no ocidente, o pensamento ortodoxico usa da métrica da dívida pública para demonstrar se um país é frágil ou não, isso para a periferia, não se fala da dívida pública do Japão e dos Estados Unidos”, complementa ele.

É fato que estamos diante de um cenário complexo envolvendo a segunda maior economia do mundo, suas particularidades, potencialidades e debilidades se apresentam à “mesa” e só o futuro poderá nos responder a respeito dos caminhos traçados por esse gigante asiático. 

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Davi Reggiani

Me chamo Davi Reggiani Scatolin, tenho 23 anos, nasci e fui criado em Americana, São Paulo. Atualmente vivo em Bauru, cidade onde realizo minha graduação em jornalismo. Sou versátil e cultivo diversas áreas de interesse que variam de esporte e cultura pop até geopolítica historia. Durante a pandemia criei juntamente com alguns colegas a SincoTX, um esforço multiconteudo e multiplataforma, atuei ativamente na criação de conteúdos escritos sonoros e audiovisuais para Instagram, Spotify, Twitter e TikTok. Possuo inglês avançado para leitura e escuta, e intermediário para conversação, o mesmo vale para o espanhol.

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