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Música para morrer de amor: Dos palcos para às telas

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O percurso de “Música Para Cortar os Pulsos” até a adaptação para o cinema.

Imagem de divulgação do filme Música para Morrer de Amor.

Música Para Cortar os Pulsos começou como uma produção teatral que fez sucesso no circuito de São Paulo desde sua estreia em 2010, e agora ganhou uma adaptação para o cinema do mesmo diretor Rafael Gomes, com um nome menos sugestivo: Música para Morrer de Amor.

Aos 26 anos, Rafael Gomes colocava no papel as experiências sentimentais de Isabela, Felipe e Ricardo, jovens nos seus 20 e poucos anos que refletiam, respectivamente, sobre as dores do fim de um longo relacionamento, a vontade de se apaixonar e como lidar com a paixão platônica, usando filmes, livros, peças e músicas como espelhos para seus sentimentos. Dez anos depois, o espetáculo virou uma produção cinematográfica pela Lacuna Filmes, além de ser lançado como livro pela Editora Leya.

Imagem de divulgação do filme Música para Morrer de Amor.

“Se a gente considerar que a minha primeira vontade era fazer um filme e depois virar uma peça, até que demorou muito para voltar a ser filme”, destacou o diretor em entrevista ao AdoroCinema, e ainda disse que a maior mudança entre o teatro e o cinema é que na peça os personagens contavam suas histórias no passado enquanto o filme se passa no presente. 

Para a roteirista, atriz e diretora de teatro Alessandra Colasanti, cada obra apresenta desafios únicos ao se acomodar em um novo formato. “Adaptações sempre serão delicadas, essa transposição pode tanto não ser fácil como também pode ser muito libertadora”, disse a dramaturga. “Algumas peças possuem cenário único ou semi-único e quando transpostos para o cinema pode ficar um tanto monótono. Mas acredito que se o roteirista e o diretor forem talentosos com certeza a chance de dar certo é muito grande!” completa Alessandra.

Música Para Cortar os Pulsos é, justamente, uma peça de cenário único e para solucionar o problema da possível monotonia a produtora da Lacuna Filmes, Diana Almeida, teve a ideia de transformar a capital paulista em um personagem. “Tudo o que tentamos buscar de específico em São Paulo ocorre porque ali também existe uma coisa que explode para todos os outros lugares”, finaliza Rafael Gomes para o AdoroCinema.

E foi em São Paulo que a advogada Beatriz Melo viu a peça pela primeira vez de muitas: “Eu fui assistir por causa da Maya (Constantino), que eu conhecia da série Tudo o que é Sólido Pode Derreter, mas me apaixonei pela peça” disse Beatriz. Tudo o que é Sólido pode Derreter foi uma série da Tv Cultura sobre o universo adolescente que marcou o início da parceria entre Rafael Gomes e Mayara Constantino, parceria tão consolidada que foi pensando Constantino que Isabela nasceu, mas nenhum dos dois poderia prever o sucesso que a personagem faria.

“Na minha opinião, a Música Para Cortar os Pulsos se difere por completo de qualquer peça. Ela traz agonias, alegrias, dilemas, e tudo o que jovens passaram ou passarão nessa fase da vida, fazendo com que a peça te comova e te faça refletir. Além disso, as músicas tocadas são incríveis” – aponta a advogada. 

Como o próprio título já fala, a música é um elemento central da história. A produção original que já contava com uma trilha sonora que ia desde ópera até Roberto Carlos, agora a adaptação conta com a participação vários de membros ilustres da música brasileira como Fafá de Belém, Tim Bernardes da banda O Terno, Maurício Pereira e Maria Gadú, que vai registrar uma nova versão da música “Trovoa” junto ao compositor Maurício Pereira, de quem é fã, especialmente para o filme. 

É interessante pontuar como a sexualidade é retratada no enredo em que dos 3 protagonistas apenas Isabela se vê como hetero sexual enquanto Ricardo se apaixona por Felipe e Felipe está passando exatamente por um momento em que há o questionamento da própria sexualidade, porém com naturalidade sem ser o foco do seu enredo. Em agosto de 2021 o filme foi incluído pela Vitrine Filmes na edição limitada da caixa de DVDs Cinema Queer Vitrine junto de títulos reconhecidos como Divinas Divas e Tinta Bruta.

As consequências da pandemia

Devido a pandemia de Covid-19 a data de lançamento de Músicas Para Morrer de Amor foi atrasada em um ano. E com o Lockdown uma nova temporada de apresentações de Música Para Cortar os Pulsos também não era uma opção. A obra de Rafael Gomes é notória por se basear no diálogo com a nova geração, promovendo a essencial renovação do público teatral desde a década passada.

Portanto, o jovem dramaturgo decidiu disponibilizar o espetáculo vencedor do Prêmio APCA de Melhor Peça Jovem gratuitamente online, pela plataforma Vimeo. A intenção de Gomes era a de estimular o isolamento social voluntário, porém a peça foi retirada do ar devido a nova temporada que estreou em 2021 para marcar os dez anos da peça.

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Geovanna Vale

Estudante de Jornalismo na Unesp Bauru, porém nascida e criada em São Paulo capital. Apaixonada por cultura, filmes, séries e livros encontrou na graduação uma forma de desenvolver novos interesses. Foi repórter do Impacto ambiental, participou da Rádio Unesp Virtual e hoje faz estágio em assessoria de imprensa.

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