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Futebol chinês abrasileirado

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As investidas da liga chinesa não são exclusivas de 2016 e não têm previsão de término

por João Victor Belline.

O desmanche do Corinthians, atual vencedor do Campeonato Brasileiro de futebol, fez com que o mercado chinês fosse notado pelo público fã do esporte. As propostas vindas destes clubes asiáticos chegam a salários de até 2 milhões de reais mensais e pagar a multa rescisória não é um problema. O histórico de contratações não se resumo às feitas nesta janela de transferências e é possível visualizar uma atuação constante e gradativa da China buscando profissionais brasileiros.

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Ricardo Goulart foi uma das principais transações entre a Super Liga e o Brasileirão (Créditos: Reprodução/Facebook/Guangzhou Evergrande)


As investidas de clubes chineses por jogadores brasileiros tem início em 2010 quando o Guangzhou Evergrande, da Chinese Super League, primeira divisão do futebol chinês, assegurou a contratações de Muriqui, até então jogador do Atlético Mineiro. Nos últimos anos, os chineses contrataram os destaques dos campeões brasileiros. Em 2015, Ricardo Goulart, bicampeão nacional com o Cruzeiro, foi para o Guangzhou Evergrande. No ano seguinte, Renato Augusto, para o Beijin Guoan, e Jadson, para o Tianjin Quanjian, deixaram o Corinthians, atual detentor do título do Brasileirão.
“O mercado brasileiro não está perdendo só para a China. Perde para a Ucrânia, para a Rússia e para tantos outros países. A seleção brasileira, hoje, não tem identificação. Se jogadores brasileiros de ponta, como o Renato Augusto, melhor jogador do último Brasileiro, estão indo para a China, todos terão que passar a olhar para lá com outros olhos, passar a transmitir os campeonatos de lá, o que é uma coisa natural”, afirmou Vanderlei Luxemburgo, técnico brasileiro do Tianjin Quanjian, da China League One, segunda divisão do futebol chinês, em entrevista coletiva.
O crescimento da modalidade em território oriental vem de iniciativas estatais. Todos os dezesseis clubes da primeira divisão são controlados por empresas. Elas recebem incentivos do governo para investir no futebol, como por exemplo as empreiteiras que obtém áreas públicas para novas construções. O país possui tradição esportiva, como se pode averiguar a cada quadriênio nas Olimpíadas de Verão, e quer aproveitar o potencial econômico do futebol para fortalecer a economia interna e internacionalizar o prestígio da nação.
“O presidente da China é fanático por futebol, isso fez com que grandes empresas, patrocinadores e donos do times tivessem interesse em inovar o futebol chinês. Quem não quer ser o primeiro empresário de futebol para agradá-lo? Todos os clubes chineses pertencem a grandes empresas, o primeiro que conseguir mostrar que tem um bom time de futebol vai ter o reconhecimento e a gratidão do presidente chinês. Em um país em que o mandato de presidente dura dez anos, isso faz bastante diferença”, declarou Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, em entrevista ao UOL esporte.
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Jadson e Renato Augusto são a consolidação do poderio chinês frente aos clubes brasileiros (Créditos: Carlos Jr./Futura Press)


Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, a o país do oriente é a segunda maior economia mundial com um PIB superior a 4 trilhões de dólares. O país precisa criar consumo interno e fortalecer esta economia, já que a produção é muito superior ao que é consumido internamente. O futebol se torna uma ferramenta adequada a este fim.
“A China já é a maior potência econômica. E agora quer a promoção do país, a divulgação, a penetração em outros lugares. É importante divulgar o país, ser mais bem quisto, conhecido, mostrar a sua cultura para os outros, e uma das formas de se conseguir isso é através do futebol. Olha como os países conseguem angariar em simpatia e penetração com o futebol”, revela o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, destaca Charles Tang.
O problema enfrentado pelo futebol chinês é a falta de mão de obra qualificada. A solução é a mesma utilizada em outros setores, agora consolidados no país, como a indústria automotiva. Busca profissionais qualificados e garante que o aprendizado seja levado aos locais. E isso está sendo feito com jogadores e comissão técnica, passando por técnicos, auxiliares, preparadores físicos e fisioterapeutas.
“No contrato é obrigado a ter um auxiliar chinês para eles irem aprendendo, e com o tempo eles vão ter a própria mão de obra qualificada”, conta o técnico Cuca, Alexi Stival, que comandou o Shandong Luneng entre os anos 2014 e 2015, em entrevista ao UOL esporte.
O Brasil se tornou o alvo preferido dos chineses. Dos dezesseis clubes que compõem a primeira divisão na China, seis não contam com brasileiros. Na segunda, são cinco jogadores. Entre os técnicos, os dois últimos técnicos da Seleção Brasileira estão na Super Liga Chinesa, Mano Menezes comanda o Shandong Luneng e Luiz Felipe Scolari está à frente do Guangzhou Evergrande. Na segundona, Vanderlei Luxemburgo treina o Tianjin Songjiang.
O êxodo de jogadores do Brasil não é nenhuma novidade. A saída destes profissionais tem registros desde 1948, quando Heleno de Freitas deixou o carioca Botafogo para defender as cores do Boca Juniors, da Argentina. Este movimento se intensificou com o passar dos anos e Espanha, Itália, Inglaterra, entre outras grandes ligas, sempre levaram atletas de destaque sem alguma reclamação tão fervorosa. Agora a má gestão dos clubes nacionais está permitindo que ligas de menor tradição, mas melhor organizadas do que a brasileira, também o façam. Apesar da discrepância entre o nível técnico da realidade oriental e a sul-americana, a garantia de condições financeiras e estruturais melhores está sendo o bastante para seduzir os astros do Brasileirão.

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Redação

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