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Comércio em Guariba sente impacto da crise de Coronavírus

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No interior de São Paulo cenário de crise nacional se repete e classe comerciante busca novas formas de adaptação

O decreto publicado pela Prefeitura de Guariba (SP)  em 15 de junho de 2020 indicava um retrocesso para a gradativa volta à normalidade no cenário de pandemia de coronavírus. O documento determina que a cidade, que possui 38 499  mil habitantes, retorne à fase vermelha junto com outras 24, por determinação de critérios do Plano São Paulo, do governo estadual.

 A fase vermelha é a mais alarmante das 5 fases usadas para classificar a possibilidade de abertura de atividades nos municípios do Estado. Até a terceira semana de junho, 5 macrorregiões do estado estavam na fase vermelha, enquanto outras 19 foram classificadas na fase laranja.

As 25 cidades coordenadas pela Diretoria Regional de Saúde XIII do Estado, incluindo Guariba, seguem até o dia 30 de junho, a classificação do governo de São Paulo, que limita atividades comerciais, serviços de cabeleireiro, barbearia, bares, restaurantes, lanchonetes e outras atividades que gerem aglomeração ou  facilitem o contágio de covid-19. Semanalmente uma nova classificação é feita, com base na média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com coronavírus, número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos.

No Brasil, os governos e as prefeituras são responsáveis por determinar as regras de limitação de circulação. O governo de São Paulo, que acumula, até o dia 22 de junho,  12.588 óbitos causados pela covid-19, adotou a classificação por níveis de isolamento, que indicam quais regiões terão que abrir ou fechar as portas, reduzir a capacidade de lotação e o horário de atendimento. 

As medidas restritivas, entretanto, afetaram diretamente a classe comerciante do país, que passou por uma queda significativa de vendas durante o mês de março, quando as medidas de restrição foram abruptas. Sem muita perspectiva, eles tentam meios de não entrar de vez na crise. Em Ribeirão Preto, 58  km de Guariba, o Ministério Público proibiu a realização de uma carreata, organizada por comerciantes, que iria percorrer a cidade com buzinaço, em protesto às medida adotadas pela Prefeitura e pelo governo do Estado, no final do mês de março.

Mesmo proibido, o protesto foi realizado na av. Duque de Caxias, em Ribeirão Preto. Foto: revide.com

Mais próxima do consumidor, a rede varejista foi a mais afetada pelo cenário ocasionado pela pandemia de coronavírus. Segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo, o Índice de Consumo das Famílias (ICF) caiu 21% em maio, em comparação com o mesmo período no ano anterior (2019).

O ramo de vendas de roupas, por exemplo, diminuiu durante a crise sanitária, mas aumentou dentro do mercado on-line. A tendência de vendas por meios digitais garante que estabelecimentos mantenham os custos e permaneçam ativos.

Vendas em tempo de crise

Em Guariba, a loja de roupas Top Mix, localizada a rua Evaristo Vaz de Arruda, Centro, fica num ponto estratégico da cidade, em frente para a praça Silvio Vaz de Arruda. No entanto, com a diminuição da circulação de pessoas, festas e eventos, as vendas de roupas diminuíram. É o que relata a empreendedora Amanda Beatriz Seno, de 29 anos, proprietária do estabelecimento.

Ela avalia que “devido às restrições de festas, bares, e atrações e com o receio de não conseguir manter os empregos, a população começou evitar gastos desnecessários”. 

Nesse cenário, itens como roupas e sapatos foram os primeiros a serem excluídos da lista de compras. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indica que, entre os 15 e 20 de março, as vendas pela internet de itens de moda caíram 5,09%, mas tiveram o melhor desempenho em abril, quando os pedidos tiveram aumento de 40%.

Amanda (ao fundo) no interior de sua loja de roupas, em Guariba (SP)

Amanda conta que em março “as vendas caíram bruscamente, mesmo pela internet. Tive que me reinventar de outras maneiras pra conseguir arcar com os custos fixos da loja, como aluguel, água, força. Com a flexibilização na cidade, o comércio voltou abrir, e começamos atender somente da porta, e foi aí que minhas vendas começaram melhorar”, relata a empreendedora.

Pra consumir em casa

Para os trabalhadores autônomos, pensar em outras formas de venda foi a solução mais próxima para não ter prejuízo. Ana Beatriz Vitoriano, 39, trabalha há 9 anos com doceria artesanal, em Guariba (SP). Com grande parte dos eventos cancelados para evitar a disseminação da novo coronavírus, como casamentos e festas de aniversário, os doces por encomenda que confecciona tiveram baixa de pedidos. 

“No primeiro mês (de quarentena) eu não tive nenhum pedido para festas. Eu só vendia doces mesmo pra pessoa consumir em casa. Mas, depois de um mês as pessoas voltaram a fazer coisas intimistas, entre 4 ou 5 pessoas. Tenho recebido encomendas pequenas de festas. Tem sido mais procurado. Tá dando pra levar, mas a renda principal não chega nem a 60% do que eu vendia”, relata Ana.

Adaptar para não quebrar

O decreto municipal do dia 15 de junho estabeleceu as medidas restritivas de atividades não essenciais, indicando que municípios “sofreram regressão por causa do crescimento de internações e óbitos, passando à zona mais restrita da quarentena, a vermelha”. As mesmas regras que vigoram em Guariba valem para: Altinópolis; Barrinha; Batatais; Brodowski; Cajuru; Cássia Dos Coqueiros; Cravinhos; Dumont; Guatapará; Jaboticabal; Jardinópolis; Luís Antônio; Monte Alto; Pitangueiras; Pontal; Pradópolis; Santa Cruz Da Esperança; Santa Rita Do Passa Quatro; Santa Rosa De Viterbo; Santo Antônio Da Alegria; São Simão; Serra Azul; Serrana e Sertãozinho. Por regra, permanecem fechados comércio de rua, galeria de lojas e casas de festas e eventos em todos os municípios citados.

Em março as medidas de restrição foram aplicadas pela primeira vez e, na época, Amanda decidiu trabalhar com itens indispensáveis: “a ideia foi entrar fortemente nas vendas das máscaras de tecido dupla face e nos frasquinhos de álcool em gel 70% perfumado”.

Considerando que as vendas on-line tiveram um aumento expansivo no primeiro semestre de 2020, apesar das variações no início da quarentena, investir nas redes sociais tornou o vendedor mais visível ao seu público, que facilmente pode encontrá-lo. Ana  Beatriz conta que foi justamente o que fez:

“Para vendas, o uso das redes sociais, WhatsApp, Instagram sempre foi a minha forma de comunicação e de propaganda. Eu já fazia isso antes, agora continuo. As minhas vendas são feitas por internet. Eu faço publicações no Instagram e Facebook, e os pedidos são feitos via WhatsApp”.

Compras on-line aumentaram no primeiro semestre de 2020. Foto: freepik

As vendas na web já eram tendência antes do cenário pandêmico ocasionar a adaptação dos varejistas. Agora, a previsão é que esse ramo se fortaleça ainda mais, sendo uma alternativa às lojas físicas.

Segundo a ABCcomm, os ramos que mais venderam on-line entre maio e junho foram o de autopeças (+5,23), bebidas (+18,44), cosméticos (+15,75%), livraria (+5,20%) e óticas (+9,98%). As vendas on-line podem ser uma oportunidade para quem quer garantir um bom nível. Segundo a NZN Intelligence, 71% dos consumidores brasileiros pretendem aumentar o volume de compras on-line.

Nesse cenário, Amanda acredita que é preciso aplicar a resiliência : “(é preciso) se reinventar de todas as formas possíveis, usar e abusar da criatividade, das oportunidades, e transformar o negócio para que as pessoas te procurem pelo seu diferencial”.

Redação

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