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Desnudando através de cultura

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A produção cultural está naturalizando a nudez e buscando quebrar o tabu

por João Victor Belline

Fevereiro é Carnaval no Brasil. A tradição popular é tão consolidada que não há a possibilidade de não fazer a ligação entre o mês e a folia. Escolas de samba, bloquinhos nas ruas, corpos sendo expostos na televisão. Em especial, corpos de mulheres sendo expostos. Em certos casos esta exposição, ou mesmo a nudez, são permitidas. Até mais, ela é explorada. Em todo o restante do ano, ela é tratada como tabu. Deixando de lado estes casos específicos em que a carne é vendida, a repressão é constante. Casos de mulheres que são impedidas de amamentar, por exemplo, ainda são recorrentes.
Apesar de toda esta aversão, inclusive misógina em diversos momentos, é possível ver um movimento que vai na contramão. A arte, dentro de seu espectro vanguardista e contestador, busca naturalizar a visão do corpo nu e trazer a reflexão sobre os dogmas ainda presentes na sociedade. A produção cultural, seriados, filmes, fotografia, a música, têm contribuído para esta discussão e a busca por uma nova visão do público.
“A gente tem visto um pouco dessa movimentação sobre a nudez (a naturalização dos corpos) por aí. Em alguns lugares, percebo uma exposição do corpo de maneira diferente, uma espécie de naturalização dos corpos. Nossa intenção ao trabalhar com o corpo é acabar com os tabus em relação a isso”, destaca o fotógrafo Mateus Lima, em entrevista ao portal O Tempo. Matheus faz parte do Coletivo de Arte Político-Poética Além e faz ensaios retratando corpos nus em situações remetendo ao dia a dia, sem buscar seguir algum padrão estético pré-determinado.

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A série “365 nus” é outra iniciativa de naturalização. (Créditos: Fernando Schlaepfer)


A exposição de figuras sem roupas pode ser constatada há muito tempo dentro da arte. Os períodos mais remotos da Arte Clássica trazem diversas obras retratando o corpo humano. Inclusive, o nu masculino era muito retratado. Na contemporaneidade, a televisão, os filmes e as publicações impressas retratam e exploram muito mais a silhueta feminina.
“A nudez feminina, historicamente, foi mais exibida por uma cultura conservador e patriarcal. Essa cultura sempre supôs a mulher como objeto para o prazer do homem, mais disponível ao voyeurismo”, afirma Bernadette Lyra, doutora em cima pela Universidade de São Paulo, USP, em entrevista ao portal notícias da tv, do UOL. Ela também destaca que está havendo uma mudança neste paradigma na televisão: o nu masculino está virando corriqueiro.
Por mais que a nudez masculina já estivesse presente em seriados como OZ, Roma e Game of Thrones, a diferença de tratamento da exposição masculina e da feminina sempre foi nítida. Os homens são muito menos expostos e, na grande maioria das vezes, não de forma frontal. Séries mais recentes como The Leftovers, da HBO, e The Affair, do Showtime, além de naturalizarem a nudez, tentam manter o equilíbrio entre os sexos.
“Nós não queremos que a série seja apenas sobre o corpo da mulher, somente porque ele é excitante. Nosso objetivo é manter o máximo de igualdade que pudermos”, justificou Sarah Treem, criadora de The Affair no seminário da TCA (Associação dos Críticos de Televisão dos Estados Unidos), em agosto.
Além da produção audiovisual, o ramo musical também foi palco para a discussão do tabu da nudez. Em outubro de 2015, a cantora Bárbara Eugênia tirou a roupa durante o show de lançamento do disco “Frou Frou” no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Os convidados Tatá Aeroplano e Peri Pane acompanharam a cantora no ato e os três sustentaram uma faixa com os dizeres “Você tem medo de quê?”.
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A performance do amor no Sesc Belenzinho. (Créditos: Luis Dávila)


“O Brasil tem essa cultura terrível, de ver o corpo como vulgar. (A performance) foi um chamado para que as pessoas enxerguem de outra forma. Existe uma visão superficial das coisas, que só atrapalha a vida e o mundo, a falta de olhar para dentro. Muitas pessoas vieram me parabenizar depois do show, elogiaram a coração”, sustenta a cantora em entrevista à Folha de São Paulo. Bárbara batizou o gesto como “performance de amor”.
Ao longo da história o homem aprendeu a reprimir sua nudez para viver em sociedade. Em relação à mulher, a nudez é ainda mais dura. A intervenção da produção cultural na atual conjuntura social traz uma reflexão importante para a reflexão e uma maior tolerância. O problema não é a exposição do corpo, ou até a sua exploração, a questão está no uso indevido destas imagens para abusar ou reprimir minorias.

Redação

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