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Conversão nacional: o fortalecimento dos Neopentecostais no Brasil

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Fiéis reunidos em cerimônia religiosa nos Estados Unidos/Créditos: David Goldman/AFP

Por Arthur Iassia, Daniela Arcanjo, Lucas Pinto e Matheus Ferreira
Protestantes crescem, se tornam competitivos para a Igreja Católica e alteram panorama sociopolítico do país

Rasgando os Céus, Imaculada Conceição, Universal do Reino de Deus, Presbiteriana Redentor, Plenitude em Cristo, Deus é Amor, Gratidão Eterna ao Senhor Jesus, Metodista Wesleyana. Passaram de noventa as igrejas registradas no aplicativo Google Maps na cidade de Bauru, interior de São Paulo. Das mais tradicionais – como as Igrejas Católicas tão velhas quanto a formação das cidades paulistas, com sua arquitetura característica -, até as mais inovadoras: o caso da Bola de Neve, famosa pelos seus jovens fiéis e identidade visual moderna.

O censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010 revelou um grande aumento de pessoas que declaram não ter nenhuma religião. E mostrou o aumento vertiginoso de evangélicos, com a diminuição de integrantes da Igreja Católica Apostólica Romana. Pessoas espíritas ou que participam de outras religiões são números que praticamente se mantêm desde 1940.

Foi o correspondente a 73,6% da população brasileira que se declarou católica. 15,4% se disse evangélica e, 7,4%, sem religião. É uma característica das grandes cidades o aumento de diferentes igrejas: na zona rural, o número de pessoas que pertencem à Igreja Católica, mantem-se alto. São 77,9% os católicos entre aqueles que estão na zona rural, contra 62,2% na área urbana. Foi observado que as religiões que comportam os mais escolarizados são a Espírita, com uma porcentagem de pessoas com nível superior completo de 31,5%, e as Evangélicas de missão, com 12,1%. A igreja com o menor número de pessoas com nível superior completo são as evangélicas de origem pentecostal.
O Rio de Janeiro já não tinha, na época do censo, maioria de católicos: caíram de 56% para 46% no estado. José Eustáquio Diniz Alvez, Suzana Marta Cavenaghi – ambos doutores em demografia e professores no IBGE – e Luiz Felipe Walter Barros, mestre em Estudos Populacionais, fizeram um estudo intitulado “A transição religiosa brasileira e o processo de difusão das filiações evangélicas no Rio de Janeiro”.
O artigo resultante da pesquisa mostra que o Rio de Janeiro é o estado mais plural no âmbito religioso do país, e que essa tendência deve ser seguida no restante do Brasil nas próximas décadas. Segundo o estudo, “não só na religião, mas também em outros campos, o Rio de Janeiro é o estado que apresenta as maiores transformações sociodemográficas do Brasil, sendo reconhecido como um foco de inovação e difusão de novos comportamentos que assumem dimensões nacionais”. São apontados diversas razões para esse fenômeno: maior densidade demográfica, população urbana majoritária, maior índice de envelhecimento, menor taxa de fecundidade total.
Politicamente, a organização de cidadãos evangélicos segue a mesma lógica de crescimento. A doutora pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Bruna Suruagy estudou esse fenômeno em sua tese “Religião e política: ideologia e ação da ‘Bancada Evangélica’ na Câmara Federal”. Na época de sua pesquisa, a legislatura era a de 2011, e a Frente Parlamentar Evangélica contava com 71 deputados federais e 3 senadores, um aumento de 42% em relação a eleição anterior. A tese mostra o engajamento político que novos atores de Igrejas Evangélicas vêm conquistando, com agendamento de pautas públicas e entrando na vida dos brasileiros. “(…) nas sociedades contemporâneas, as fronteiras que antes demarcavam os territórios deslocaram-se, possibilitando o livre trânsito dos conteúdos políticos e religiosos de sorte que a religião ingressou no âmbito público e a intervenção estatal atingiu a vida íntima e privada dos indivíduos”, examina a psicóloga.
Valdinei Ramos Gandra, teólogo pela Faculdade Teológica Sul Americana (FTSA) tem uma hipótese a respeito do crescimento de Igrejas Neopentecostais no Brasil. Ele desenvolveu a sua dissertação de mestrado sobre a Assembleia de Deus e cita a participação nas mídias de grande alcance e o agendamento político como duas alavancas para o crescimento dessas igrejas. Apesar da participação em locais de poder como esses, elas se territorializam nas periferias das cidades brasileiras.
“Enquanto as religiões mais institucionalizadas e mais históricas do nosso país estão geralmente nas regiões mais centrais e têm um apelo para uma classe escolarizada e média, as igrejas neopentecostais se visibilizam na malha urbana da periferia. É muito comum uma pessoa descer do ônibus e se deparar com várias igrejas como essas. Elas crescem na periferia porque estão na periferia”. Ele atenta, porém, para uma fenômeno novo: o crescimento de fiéis de igrejas neopentecostais nas classes médias brasileiras.
Além da própria presença dessas Igrejas como fator determinante para a sua chegada em várias classes brasileiras, há um motivo menos palpável, segundo o teólogo: a fragmentação que marca o discurso contemporâneo. “A chamada pós-modernidade ficou tão fragmentada, que o jovem busca uma certa ancoragem. Não quer aquela tradição convencional e conservadora no plano estético, então buscam uma igreja neopentecostal que assume uma estética contemporânea moderna, mas mantém um núcleo doutrinário conservador”.
O teólogo afirma que a competitividade das Igrejas pelos fiéis é também responsável pela variedade delas nas regiões urbanas. Segundo ele, elas se adaptam às várias facetas do mundo contemporâneo, oferecendo um “menu muito variado” de Igrejas. “Eu diria que é a própria lógica do mercado”, completa.

Origens do Protestantismo

O movimento protestante começou em 31 de Outubro de 1517, dia no qual o então monge católico Martinho Lutero fixava suas 95 Teses na porta do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Lutero questionava as doutrinas da Igreja Católica Romana da época, atacando práticas como a venda das indulgências, documentos assinados pelo Papa Leão X que perdoariam os pecados dos fiéis que os comprassem, e dava início ao movimento que viria a ser conhecido como a Reforma Protestante.

Obra “Retrato de Martin Luther, de Lucas Cranach, o Velho

Lutero estabeleceu seu credo em 5 princípios teológicos, conhecidos como as “Cinco Solas”, onde, entre outras coisas, desafiava a autoridade do papa ao classificar ações salvadoras como, por exemplo, a compra de indulgências, argumentando que somente a fé salvaria e questionava os dogmas, as doutrinas e interpretações da Igreja Católica sobre a religião que não estivessem prescritos na Bíblia. Seus protestos o levaram a ser réu de um processo religioso que o acusava de heresia e que o levou a, em 1521 ser excomungado da comunidade católica.

A denonimação “protestante” surgiu a partir do Protesto de Espira, documento assinado em 1529 por príncipes e representantes de cidades livres alemãs que reclamava o direito a tolerância religiosa, anulado por Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, no mesmo ano. A tolerância à reforma luterana havia sido estabelecida em 1526 pelo mesmo imperador durante a primeira Dieta de Espira, reunião entre a nobreza e o império alemão na qual fora decidido que “a cada Estado deverá viver, governar e crer como deseje e confie, respondendo ante Deus e sua Majestade Imperial”; porém, durante a segunda Dieta de Espira de 1529 fora revogada essa mesma decisão, buscando aniquilar a reforma luterana.

Este processo levou a assinatura de uma Carta Protesto dos príncipes protestantes alemães, reivindicando sua independência religiosa. As diferenças entre a liga dos príncipes e o imperador só se apaziguaram em 1555, quando foi assinado o tratado da Paz de Augsburgo. Esse documento autoriza que os territórios dentro do Sacro Império Romano-Germânico pudessem escolher sua religião oficial como luterana ou católica romana.

Divisão e ascensão protestante

As reformas propostas por Lutero na Alemanha também inspiraram movimentos dissidentes da Igreja Católica em outros países europeus. Na Inglaterra, de acordo com o historiador inglês John Joseph Scarisbrick em seu livro “Henry VIII”, o rei inglês Henrique VIII fundou o anglicanismo, aproveitando-se da reforma luterana para também declarar independência da Igreja Católica. Enxerga-se a reforma anglicana como sendo mais política do que teológica, pois Henrique VIII acreditava na autonomia das igrejas nacionais. Divergências dentro do reformismo inglês levaram ao surgimento de novas igrejas independentes, dentre as quais se destacam, nos dias de hoje, as batistas e as metodistas.

Na França e, posteriormente, na Suíça, o reformista João Calvino inspirou um movimento protestante – o calvinismo – baseado em seus próprios conceitos teológicos, que divergiam de Lutero em alguns pontos de interpretação da religião cristã. O sociólogo alemão Max Weber observa no livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” que o calvinismo incentiva a busca pelo lucro, algo que o catolicismo condenava. Os calvinistas ficaram conhecidos na Escócia como presbiterianos e na Inglaterra receberam o nome de puritanos.

A partir do século XX, surgiu nos Estados Unidos uma nova corrente do cristianismo; era dada a origem ao pentecostalismo. O movimento iniciou-se em 1905 através de William Seymour, que pregava que a evidência do batismo no Espírito Santo através da glossolalia, que consiste na expressão do indivíduo em línguas desconhecidas com suposta origem divina.

Essa característica da vertente pentecostal inspira-se em um episódio retratado na Bíblia, no livro do Atos dos Apóstolos, onde judeus de diferentes partes do mundo se reuniram no dia de Pentecostes – data em que, na religião cristã, o Espírito Santo teria descido sobre os apóstolos de Jesus Cristo – e, ao serem habitados pelo Espírito Santo, começaram a falar em línguas diferentes, mas eram entendidos por todos os presentes independentemente de nacionalidade; esse fenômeno bíblico fora entendido como um dom do Espírito Santo cedido aos fiéis.

O número de seguidores de Seymour, suas crenças e suas práticas religiosas diferenciadas cresceu exponencialmente nos Estados Unidos e serviu como grande catalisador do pentecostalismo no século XX. No Brasil, uma das vertentes do evangelicalismo mais populares é a do neopentecostalismo, considerado como a terceira onda do pentecostalismo clássico; esse movimento é mais popularmente representado pelas igrejas: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Renascer em Cristo, entre outros.

Dinâmica do Neopentecostalismo

Mais do que uma mudança na nomenclatura, o prefixo latino “neo” trouxe ao pentecostalismo diferenças significativas quando comparado às fases anteriores da denominação. Vagner Gonçalves da Silva, professor de antropologia da USP, identificou quais eram características que marcaram neopentecostalismo no seu início nos anos 70. Os atributos observados pelo pesquisador deslocam-se desde abandono do ascetismo, valorização do pragmatismo até à utilização da gestão empresarial na condução de tempos, com ênfase na teologia da prosperidade.

Segundo Silva, também fazem parte da dinâmica da nova cara do pentecostalismo as mediações mágicas e a experiência do transe. “Esta característica radicaliza-se em termos de transformá-la em uma religião da experiência vivida no próprio corpo”, escreve o pesquisador, na revista de estudos antropológicos Maná.
As experiências de avivamento religioso são repletas nos cultos dessas Igrejas e elas têm a cura como ponto central da retórica evangélica. “É uma das partes constitutivas do ritual da bênção aos doentes, servia para mostrar a vitória de Deus sobre o demônio”, explica Silva.
O autor ainda acredita que consequência dessa teologia é a necessidade de eliminar a presença e ação do demônio no mundo. “É uma batalha que acontece contra outras denominações religiosas, sobretudo contra as afro-brasileiras”, relata.

Bispo Edir Macedo com fiéis na Catedral de Del Castilho, no Rio de Janeiro/Créditos: Igreja Universal do Reino de Deus


No livro “Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no brasil”, de Ricardo Mariano, destaca-se a tática agressiva de proselitismo e investimento em mídia televisiva como motivo das Igrejas neopentecostais se tornarem influentes, em especial a Universal do Reino de Deus. É uma característica marcante da denominação, que se usa das mídias como proselitismo em massa e de propaganda religiosa.
Para Mariano, a Universal se descola do discurso religioso e se estrutura de um jeito empresarial e mercadológico.
Dados levantados pela jornalista Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo, aclarou o império midiático da Universal: eram, em 2007, 23 emissoras de TV, 40 de rádio e dois jornais de grande circulação. O grupo Iurd, revelou a reportagem, tinha mais de 19 empresas registradas em nome de seus bispos, inclusive uma companhia de táxi aéreo – a Alliance Jet, que fica em Sorocaba.
O fundador da Universal, Edir Macedo Bezerra – pastor mais rico segundo a Forbes – acredita que seu trabalho é feito para que seus nove milhões de fiéis “busquem os sucessos profissional e o conforto material que merecem”, segundo escreveu na Folha de S. Paulo. A busca por bens materiais é muito presente na teologia da prosperidade.
Para se descolar das críticas de tornar a religião um balcão de negócios, o bispo busca mostrar a faceta social de sua criação. “Amparamos 56 mil mulheres vítimas da violência doméstica, ofertamos afeto a 386 mil idosos, acolhemos 560 mil atendimentos por ano” escreve Macedo. O impulso e motivação para realizar tudo isso vem “da Palavra”.
A Universal diz abertamente que fundamenta suas crenças unicamente na palavra de Deus, na Bíblia Sagrada. Mas encontra resistência de algumas escolas protestantes históricas, como a presbiteriana. Em 2010, o concílio da Igreja Presbiteriana Brasileira (IPB) decidiu tratar a Universal como seita. Segundo Ludgero Bonilha Morais, secretário executivo do Supremo Concílio da IBR, em entrevista ao site guia-me, a Universal não tem ter nenhuma preocupação quanto a fundamentação bíblica de sua fé.
Na análise de Ricardo Mariano, os pentecostais aboliram “certas marcas distintivas e tradicionais de sua religião, e propuseram novos ritos, crenças e práticas, relaxaram costumes e comportamentos”. Mas, ainda acreditam no Paraíso. “Antes de irem viver eternamente ao lado de Deus, eles querem gozar ao máximo, com todo o que tem direito, sem a menor culpa moral”, define Mariano.

Cultura religiosa e o fenômeno gospel

Dessa forma, o aumento da influência das igrejas pentecostais e neopentecostais atinge diversas áreas da sociedade. Um dos casos mais notáveis é a relação que se estabelece entre fiéis e produções culturais, especialmente na música. O embate sobre a apreciação de canções ditas como seculares, ou seja, desprovidas de influências religiosas, é pauta recorrente entre líderes de Igrejas e causa discordância entre seus seguidores.

A música religiosa no Brasil apresenta números impressionantes: no início desta década, a Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) registrava um aumento de faturamento anual próximo aos 15%. Os dados se referem a artistas de diferentes crenças religiosas, inclusive os padres cantores da Igreja Católica – outro sucesso comercial. No entanto, uma fatia importante da arrecadação vem da música gospel.
Inspirada na cultura cristã negra dos Estados Unidos, o estilo ocupa posição de destaque no mercado fonográfico brasileiro e é considerada um dos principais gêneros do país – superando recentemente, em vendas, a MPB. Ídolos como a cantora Aline Barros colecionam vitórias no Grammy Latino e milhões de seguidores nas redes sociais. A cantora chegou a figurar entre as artistas mais comentadas na internet em 2013 por ranking atualizado pela revista Billboard, ao lado de fenômenos pop como Miley Cyrus e Madonna.
As influências rítmicas do gospel são variadas e perpassam o rock, samba, forró e até mesmo o funk. A liberdade em produzir canções de acordo com suas preferências pessoais aumenta o poder de adesão, mas também abre espaço para polêmicas. Um dos exemplos mais recentes é da cantora Priscilla Alcantara, que traz elementos da música pop para seu trabalho e tenta inovar a forma de se evangelizar no Brasil. De cabelo rosa, com roupas modernas e clipes bem produzidos, sua postura incomoda pessoas mais tradicionais.

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Priscilla causou revolta de alguns fãs e artistas por comparecer à última edição do festival de música Lollapalooza. Por rede social, a cantora Sarah Sheeva se disse contrária à atitude da jovem. “Eu sempre digo: ‘Cuidado, crente que não larga a música do mundo, acaba largando Jesus’. Infelizmente esse é o destino de todos que não removem a adoração contrária a Deus de dentro de si”, aponta a artista.

Apropriação de elementos externos

A repercussão deste caso demonstra a ideologia pregada pela comunidade protestante, que exige a adoção de determinados costumes coerentes com a religião. Magali do Nascimento Cunha enxerga essa tendência como um problema e a denomina como “institucionalismo excessivo” em seu livro “A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil”.
Em sua obra, Cunha comenta sobre o fenômeno de expansão da fé protestante no Brasil e narra a prática da Igreja em observar a comportamento de seus recém-convertidos. “A congregação então passava a exercer o papel de vigilância por meio de uma rigorosa disciplina. ‘O ingresso numa igreja protestante significa o rompimento com a cultura, às vezes até com laços familiares’”, registra a autora.
Isso cria um efeito de deslegitimação e negação de outras culturas, podendo influenciar atitudes preconceituosas. Nesse aspecto, práticas de povos tradicionalmente marginalizados, como a população negra, tendem a ser ainda mais perseguidos no Brasil.

“A congregação então passava a exercer o papel de vigilância por meio de uma rigorosa disciplina. ‘O ingresso numa igreja protestante significa o rompimento com a cultura, às vezes até com laços familiares’” (Magali do Nascimento Cunha)

Vagner Gonçalves da Silva conta um episódio representativo em seu artigo sobre a relação entre o Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras. Uma organização não governamental do Rio de Janeiro chamada “Toca o Bonde — Usina de Gente”, que realiza umtrabalho musical com jovens de comunidades carentes, perdeu adeptos por motivos religiosos. “Os pais evangélicos retiraram seus filhos dessa ONG, alegando que o samba está vinculado ao ‘culto do demônio’. Nessa ótica, escola de samba é, portanto, ‘escola do capeta’”, relata.
Para suprir a perda de elementos culturais presentes antes da conversão, a Igreja criou alternativas. A mais comum delas é a apropriação de símbolos externos ao mundo gospel, destituindo as referências e tradições dessas práticas e as ressignificando. É o que acontece com a capoeira, que perde as referências aos orixás; com o hip-hop, que altera a narrativa e as demandas da periferia; com a gastronomia popular, apresentada sem o contexto subalterno de sua criação.
Valdinei Ramos enxerga isso como apropriação cultural. “É uma apropriação da religiosidade brasileira. Todo esse sincretismo que marca a cultura nacional pode ser aplicado às Igrejas Neopentecostais. Isso não é novo, isso marca toda a história do Brasil e da América Latina”, opina o teólogo.
Ele entende essa influência em um contexto ainda maior, não sendo uma exclusividade do âmbito cultural. “Aqui no Brasil uma das minhas suspeitas é essa capacidade que as Igrejas Neopentecostais desenvolveram de se adaptar às várias demandas sociais e culturais do nosso país. Os evangélico saem de uma tradição de isolamento para uma maior participação nas dinâmicas sociais do nosso país”, opina.

Redação

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