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O Peru é logo ali!

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O país que faz fronteira com o Brasil tem paisagens arrepiantes e uma história cheia de mistérios.

Por Carolina Canotilho e Marina Walder

Escondida entre vales e montanhas, a 2400 metros de altitude no meio da Cordilheira dos Andes está Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas. Muitos mistérios envolvem a sua construção e essa civilização que apesar da invasão espanhola resiste em ruínas espalhadas pelo Peru até os dias de hoje.

Cusco é uma cidade localizada a sudoeste de Machu Picchu, e na época do império funcionava como centro de administração da civilização Inca. Com cerca de 300 mil habitantes e turistas aos montes circulando pelas ruas, a cidade esconde muito do conflito entre Incas e espanhóis, com construções destruídas e Igrejas Católicas cheias de ouro.

A passagem por lá é obrigatória para quem deseja chegar até a cidade sagrada. Na rodoviária de Cusco todos os dias chegam ônibus vindos de outras cidades  e de outros países, entre eles a Bolívia e o Brasil. Turistas de diversas partes do mundo viajam milhares de quilômetros para tentar entender um pouco mais sobre a cidade perdida dos Incas.

O jornalista Pedro Nogueira Heiderich foi com mais quatro amigos para o Peru de ônibus. Ele trabalha em Campo Grande, de onde pegou um ônibus até Corumbá, que faz fronteira com a Bolívia. A primeira cidade da fronteira é Puerto Quijarro, ponto de partida  dos ônibus que vão até Santa Cruz de la Sierra. De Santa Cruz até La paz, e de La Paz até Cusco são mais dois ônibus. Ao todo a viagem durou três dias e rendeu muitas histórias. As estradas são perigosas, cheias de curvas, mas a paisagem faz com que a emoção tome o lugar do medo.
“Machu Picchu e Águas Calientes são os lugares que mais gostei, mas toda a receptividade, simplicidade e culturalidade do peru é muito legal, fora o valor que dão para o turismo local lá. As cidades turísticas são turísticas sem deixar de serem cidades com ar interiorano, que você pode andar sem preocupação, que as coisas são perto e de fácil acesso”, conta Pedro.

Os restaurantes típicos peruanos e as dezenas de hostels e pousadas tornam a passagem pela cidade um dos momentos mais calorosos da viagem. E em Cusco existem alguns pontos turísticos que você não pode deixar de conhecer:

  • Qorikancha

Era o centro religioso, político e geográfico de Cusco. Nesse templo eram feitas as homenagens ao maior deus Inca, o Sol (Inti).

Qorikancha abrigava o Templo do Sol, da Lua, de Vênus e das Estrelas, dos raios e trovões, do arco-íris, o Jardim Solar, e cinco fontes que até hoje ninguém sabe qual a origem de suas águas.

  • Basílica Catedral de Cusco

Construída entre 1560 e 1554, a Igreja apresenta uma fusão dos estilos gótico, barroco e colonial latino americano. Foi construída no lugar do palácio Inca chamado Wiracocha. A riqueza de detalhes, a grande quantidade de ouro e prata dão a ela o título de uma das maiores catedrais do mundo.

  • Mercado de Cusco

É um pouco afastado da área central da cidade, onde se concentram a maior parte dos turistas. Mas lá dá para se conhecer muito sobre as tradições peruanas. Milhares de lojinhas com souvenirs e artesanatos para quem gosta de comprar lembrancinhas. Comidas típicas preparadas na hora, ervas da medicina indígena, instrumentos de música andina, tudo isso é encontrado por lá.

  • Igreja de San Blas

Uma das primeiras paróquias construídas em Cusco, em 1560, foi destruída por um terremoto em 1650, e reconstruída logo depois. Nos arredores da Igreja há uma praça com diversos artesanasanatos locais e opções de bares com a bebida típica peruana, o pisco.

  • Plaza de Las Armas

Lugar onde foi declarada a conquista de Cusco pelos espanhóis. Fica no centro da cidade e ao seu redor é possível encontrar todos os serviços para turistas e comércio local.

  • Mamma Africa

Para quem gosta de curtir a noite, o bar fica em frente a Plaza de Las Armas, e é o reduto dos turistas baladeiros em Cusco. A decoração é cheia de detalhes do mundo todo, o som fica por conta dos Djs, com muito reggae e música eletrônica.

 

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Basílica Catedral de Cusco (Crédito: Marina Walder).


 

Depois de aproveitar o melhor de Cusco, você deve decidir qual a melhor maneira de chegar até Machu Picchu. Antes de alcançar o topo da montanha, no meio do caminho há um vilarejo chamado Águas Calientes. De Cusco é possível chegar até esse povoado, e depois de lá seguir viagem até a cidade dos Incas.

Para chegar até Águas Calientes existem três opções:

  1. Pegar uma van ou táxi até Ollantaytambo (90 km), e de lá pegar um trem até Águas Calientes, que custa em torno de U$80, e demora cerca de duas horas. A paisagem é linda, entre rios e vales, e o trem é super confortável.
  2. Pegar um trem que vai direto de Cusco a Águas Calientes. A viagem dura cerca de quatro horas e os preços variam conforme a classe que você escolher viajar.
  3. Fazer a trilha Inca, que é o trekking mais famoso da América do Sul. Há diversas opções no que se refere ao número de dias de trilha. O trecho de 45 km percorrido é de pedras e acompanha o caminho do rio Urubamba de Cusco até Machu Picchu. Durante a viagem há uma equipe responsável por montar os equipamentos, cozinhar, e os guias que explicam sobre o caminho.  O valor varia de acordo com a empresa contratada, mas fica em torno de U$400.

Águas Calientes é uma cidade sem carros. Só se chega nela através de caminhada ou trem. O vilarejo construído aos pés das montanhas se desenvolveu em volta do caminho do rio, por isso há pontes espalhadas que ligam um lado ao outro do vilarejo. As ruelas são cheias de lojinhas e restaurantes e exigem muito fôlego do turista que tem que se adaptar ao sobe e desce para se locomover. O nome Águas Calientes é devido a presença de piscinas de águas termais que ficam logo na entrada do ‘pueblo’.

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Piscinas termais em Águas Calientes (Crédito: Marina Walder).

A médica Isabela Walder esteve no Peru há cerca de três anos, quando esteve em um estágio em Porto Velho, e decidiu entrar no país passando pelo Acre. Fez toda a viagem de van, e para chegar até Águas Calientes caminhou com o namorado e mais um casal seguindo os trilhos do trem. “Foi uma aventura. A gente queria fazer do jeito mais barato, então não fomos com guia. A van parou em um ponto da estrada e disse que era só seguir o trilho do trem. A caminhada durou muito mais do que a gente imaginava, e quando a noite chegou tivemos que acender a lanterna do celular para seguir”, ela conta.

Ainda há um longo caminho para Machu Picchu, que pode ser feito de ônibus ou a pé. São cerca de 10 km de subida íngreme para quem vai caminhando, e cheio de curvas para quem prefere ir sentado admirando a paisagem.

Lá pelas cinco horas da manhã, as filas dos ônibus ficam lotadas. Isso porque o horário de visitação acaba cedo, as quatro horas da tarde, e por isso é preciso chegar logo para aproveitar o máximo que puder. Além disso há o limite de entrada de 2500 visitantes por dia. Para quem vai a pé é só seguir o caminho do ônibus e chegar  ao começo da escadaria que leva até o topo da montanha. É preciso tomar cuidado porque os degraus são estreitos e podem estar escorregadios. São aproximadamente duas horas de caminhada com pouco oxigênio devido a altitude.

“Eu aconselho muito fazer a caminhada até Machu Picchu. A subida se torna mais cansativa por causa da diferença de altitude que não estamos acostumados. Mas a paisagem vale a pena. É no meio da floresta, cheio de montanhas enormes que aos poucos ficam abaixo de você. E quando você chega lá e consegue ver as primeiras ruínas, aí você tem a sensação de ter entrado no paraíso”, conta Isabela.

Muitos historiadores passaram perto da cidade Inca mas não conseguiram chegar até ela devido à dificuldade de acesso ao local. Somente em 1911, muitos anos depois da colonização espanhola, o norte-americano Hiram Bingham descobriu de fato as ruínas da montanha. Conta-se que sua expedição já havia desistido quando ele, em companhia de um menino morador da região saiu para explorar as redondezas e encontrou Machu Picchu, que estava tomada por vegetação. Pesquisadores acreditam que  em 1493 foi o último ano em que a cidade foi habitada, mas ninguém sabe o motivo.

O estudante de administração Fernando Vasconcelos junta dinheiro há anos para realizar o sonho de conhecer Machu Picchu. Sempre foi um amante da história e as civilizações pré colombianas despertavam todo o seu interesse. “Eu comprei passagens de São Paulo a Lima por um preço justo. Como tenho pouco tempo, não vou conseguir fazer a trilha inca. Vou de trem de Cusco até Aguas Calientes, para aproveitar o máximo que puder. Essas civilizações tem muito a nos ensinar. O nível de conhecimento de engenharia e arquitetura que eles possuíam naquela época é algo que sempre me intrigou. Por que construíram lá no alto da montanha? E para onde foram? Não consigo parar de pensar nisso. Já procurei e há pouca coisa escrita sobre isso, a verdade é que ninguém sabe o que foi que realmente aconteceu”, diz Fernando.

O Vale Sagrado dos Incas é um conjunto de ruínas construídas na mesma região, próximo a Machu Picchu. Essa é a mais conhecida porque são muitos os mistérios que envolvem a sua origem, devido ao lugar em que está construída. Como milhares de pedras que pesam toneladas chegaram até o topo da montanha? É apenas uma das perguntas que ficam ecoando na mente de qualquer pessoa que passa por lá. Não se sabe o ano em que foi construído, e nem se os incas que lá habitavam tinham contato com os dos outros lugares do Vale Sagrado. Quem nos explica isso é o taxista José Luiz, que está estudando para ser guia turístico há dois anos na universidade.

“A cidade é cheia de templos em homenagem aos deuses, e ao principal deles, o Sol. A arquitetura é toda projetada, e é possível perceber a existência de um sistema de escoamento de água e esgoto. Os Incas eram extremamente inteligentes”, afirma Luiz.

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Vista da Cidade Sagrada dos Incas e montanha Huayna Picchu  (Crédito: Marina Walder).


 

Quando os espanhóis chegaram no Peru milhares de incas foram mortos em conflitos, e grande parte de suas cidades foram destruídas para dar espaço a construções de arquitetura europeia para representar o domínio espanhol no novo território. Igrejas enormes, cheias de ouro tinham a intenção de catequizar os índios e impor a religião católica à eles. Tudo isso aconteceu de maneira violenta, com escravidão e imposição de novas leis e crenças. Esse mesmo processo de dizimação indígena aconteceu em diversos países da América Latina.

A maior montanha, Huayna Picchu, está a 300 metros acima da cidade Inca, e recebe somente 250 visitantes por dia. Acredita-se que ela funcionava  como um centro astrológico para os incas, e também como uma maneira de vigiar a cidade de possíveis invasões.

“Outro ponto importante é que Machu Picchu foi construída só com pedras, e o grau de inclinação delas era feito de uma maneira para resistir a terremotos que são comuns ali na região. Há cidades atuais que os espanhóis construíram aqui que não são tão resistentes”, conclui o guia.

Hoje apenas 30% do que foi encontrado por Hiram Bingham continua do jeito que está. Os outros 70% passaram por processo de restauração, o que mudou o estilo de encaixe das pedras. Machu Picchu é patrimônio mundial da UNESCO, e há diversas discussões a respeito do prejuízo que o grande número de visitantes traz para a estrutura da construção. Portanto, se você não conhece esse lugar sagrado vá de ônibus, trem, avião, mas vá!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Redação

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0 Comentário

  1. Bruno maio 31, 2016

    Apenas uma correção, Machu Picchu está 70% original e 30% restaurada.
    A informação está contrária.

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